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Museu de Arte Moderna de São Paulo abre a primeira individual sobre Duchamp na América Latina no dia 15 de julho (terça-feira)

 

Parceria com a Fundação Proa, de Buenos Aires, a exposição “Marcel Duchamp: uma obra que não é uma obra ‘de arte’” exibe os mais importantes trabalhos do artista

 

 

No dia de seu aniversário de 60 anos, 15 de julho (terça-feira), a partir das 20h, o Museu de Arte Moderna de São Paulo inaugura “Marcel Duchamp: uma obra que não é uma obra ‘de arte’”, a maior exposição individual do artista franco-americano já realizada na América do Sul, em parceria com a Fundação Proa, de Buenos Aires, que inaugurará sua nova sede em novembro com a exposição. A curadoria é de Elena Filipovic, co-curadora da Bienal de Berlim e especializada na obra do artista. Complementando a mostra, a Sala Paulo Figueiredo recebe “Duchamp-me”, com obras de artistas brasileiros inspirados no franco-americano e curadoria de Felipe Chaimovich. O patrocínio da mostra fica a cargo da Tenaris Confab e do Itaú BBA.

 

A mostra de Marcel Duchamp celebra o aniversário de 60 anos do MAM-SP com propriedade: teria sido dele a curadoria da primeira exposição do museu se tivesse sido posto em prática o projeto enviado de próprio punho a Ciccillo Matarazzo, por carta, em 1948. Tal documento será exibido na exposição “Duchamp-me”.

 

Quarenta anos depois da morte de Duchamp, em 2 de outubro de 1968, a mostra propõe uma reflexão sobre a revolução artística promovida por um dos mais controvertidos artistas de seu tempo, precursor de diversos movimentos e procedimentos que viriam a ser assimilados ao longo de todo o século 20 pelas artes visuais. Contestador, Marcel Duchamp usou sua obra para negar a idéia de que a industrialização e a tecnologia seriam responsáveis por uma transformação que levaria a humanidade à evolução e ao desenvolvimento, uma visão quase profética.

 

Entre as cerca de 120 peças em exibição, figuram marcos cruciais de sua carreira, incluindo “O grande vidro”, nome pelo qual é conhecida “La mariée mise a nu par ses célibataires, même”, obra inédita no Brasil. O núcleo comemorativo do centenário do artista na 19ª Bienal Internacional de São Paulo, em 1987, foi a maior exibição de obras do artista realizada anteriormente. Muito mais modesta (75 peças no total) que a atual exposição, essa mostra não incluía “O grande vidro”.

 

Essa assemblage, que levou oito anos para ser totalmente construída (de 1915 a 23), ainda hoje suscita estudos por parte dos pesquisadores da obra de Duchamp, em busca de significados ocultos, uma prática comum do artista, que nomeava seus trabalhos com jogos de palavras e os preenchia com referências de humor refinado, menções arquetípicas e psicanalíticas.

 

 

Multiplicidade criativa exposta no MAM

 

Nascido em 28 de julho de 1887 na região da Alta Normandia, na França, Marcel Duchamp rompeu com a arte até então realizada com o objetivo de resgatar a autonomia e o valor do artista plástico, refutando a idéia de trabalho artístico que visasse meramente o prazer estético e o deleite visual. Toda sua criação seguiu em busca da resposta à sua pergunta (e que inspirou o título da exposição): “Pode alguém fazer uma obra que não seja uma obra ‘de arte’?”. Por ela compreende-se sua recusa ao conceito de arte de então, cujos critérios a serem seguidos eram predominantemente cor e forma, em detrimento de tema, intenção ou idéia por parte do artista, desconsiderando o pensamento inserido na obra.

 

Flertando com o cubismo e o futurismo para renegá-los, antecipando os dadaístas e inspirando os surrealistas, com os quais nunca se associou totalmente, legando princípios que resultariam na arte conceitual, na arte pop, no minimalismo, na arte cinética, no Fluxus, nas instalações, Duchamp foi um artista de trajetória ímpar, isolada de regras e cânones dos movimentos estéticos de seu tempo em sua empreitada para resgatar a inteligência, a vivacidade e o humor na arte e na vida, seguindo acima de tudo a vontade e o prazer da realização artística contra a mecanização do cotidiano e dos costumes.

 

A mostra que o MAM recebe em primeira mão parte do primeiro passo revolucionário da obra de Duchamp, a criação do primeiro ready-made em 1913, para mostrar de que forma o trabalho de sua vida questionou o papel das instituições, principalmente a artística (museus, galerias etc.), a forma como as pessoas vêem o mundo e a própria arte, além de colocar em xeque a importância da obra de arte por meio de réplicas e reproduções.

 

 

Réplicas originais

 

Quase tudo o que se vê na exposição é réplica, reprodução ou reconstrução, como “La mariée mise a nu par ses célibataires, même”, cujo “original” não pode ser deslocado do Museu de Arte da Filadélfia porque o vidro está quebrado e se desmancharia no transporte. Uma réplica construída passo a passo em 1991-92 com base no projeto que Duchamp publicou ainda em vida supre a inestimável ausência dessa obra de qualquer exposição fora do museu norte-americano. Mas é possível não considerar como original qualquer das obras de Duchamp?

 

Levando-se em conta que todos os ready-mades originais se perderam quando Duchamp ainda era vivo e que, nos anos 50 e 60, ele mesmo assinou novas séries de “Fountain” (Fonte), “Porta-garrafas”, “Pente” e “Roda de bicicleta” (às quais pertencem as peças exibidas na exposição), entre outros, é preciso compreender que a cópia como original e a reprodutibilidade foram um dos cernes da produção do artista e são um ponto crucial para a mostra.

 

Quando Duchamp se vale de um objeto industrializado, de uma fotografia, de uma cópia como a própria obra em si, o que faz constantemente a partir do momento em que rompe com a pintura, coloca no centro do debate a sacralização da obra “de arte” e sua aceitação pelo público como algo inquestionável e sublime. Da mesma forma, quando realiza suas “curadorias” (termo que então nem sequer existia) para exposições surrealistas, leva a cabo montagens que subvertem a noção de espaço expositivo, rompendo as premissas de luz, distância e ambiente tidas como ideais para a observação da obra de arte.

 

O que o franco-americano faz a todo tempo é reestabelecer no espectador a autonomia do olhar, da fruição e do raciocínio diante da obra. Um objeto industrializado ou uma cópia só podem ser considerados obras por força também da vontade do espectador de acreditar, de completar em sua mente o ato criativo, imaginando com o artista o conceito ali sugerido (no caso de Duchamp, uma coletânea de citações, trocadilhos e elaborações psicanalíticas e eróticas de fino humor).

 

Da mesma forma, a estranheza das exposições por ele montadas, com luz fraca, crianças brincando no meio do espaço expositivo durante o vernissage, pó de carvão caindo de sacos instalados no teto e posicionamento inusual de obras, como quadros pendurados em uma porta giratória, para citar alguns recursos utilizados por ele nas duas exposições surrealistas que concebeu nos anos 1930-40, pedem do espectador uma atenção desperta, um posicionamento ativo do corpo, uma não-submissão à arte que Duchamp classificaria “retiniana”. Esse conceito se refere às obras de mero deleite visual, que não provocam no espectador reflexão diante do que se observa.

 

Da mesma forma, a instituição artística é posta à prova: há uma negação do conforto asséptico que condiciona a observação da obra, imposto pelos museus e galerias. Duchamp se opõe ao mundo estático em que cada pessoa ocupa o lugar pré-estabelecido pela nova ordem industrial devolvendo ao indivíduo a capacidade de imaginar, de questionar, retirando das instituições, exemplificadas pela instituição artística, o caráter narcotizante da oferta de diversões que embotam a mente e a capacidade de reflexão, visando apenas alcançar os sentidos. Ele sugere que as instituições não são confiáveis, que cada um deve pensar por si e não seguir ditames pré-concebidos.

 

A busca por novas formas de exibir os trabalhos e pela participação ativa do espectador na fruição da obra o levaram a criar “De ou par Marcel Duchamp ou Rrose Sélavy”, ou “Boîte-en-valise” (Caixa-valise), um de seus trabalhos que sintetizam suas premissas. Consiste em uma caixa criada em uma tiragem de 300 exemplares, mais 20 edições de luxo feitas em valises de couro (com uma obra “original” assinada em cada), que traz 69 trabalhos de sua produção, incluindo pinturas, ready-mades, “O grande vidro”, “Rotoreliefs” (Rotorrelevos) e objetos como “Air de Paris” (Ar de Paris), como um museu em miniatura. Essa obra será posicionada no meio da mostra, rodeada pelos diversos nichos que contemplam as diferentes facetas da produção duchampiana.

 

São elas: ready-mades, óptica, perspectiva, transparência, acaso, humor, reprodução, música, trabalhos performáticos e erotismo. Estabelecendo relações com esses nichos há saletas em que são explorados seus projetos de exposições. Há também um espaço que remete ao seu ateliê, tão importante para a compreensão dos conceitos por ele seguidos como qualquer de suas obras, uma vez que ele usava seu espaço de criação também como sala de exibição para seus amigos e conhecidos, colocando os objetos e escritos caótica mas não aleatoriamente. No final da Grande Sala do MAM, encerrando a mostra, seu último projeto, “Etant donnés”, uma obra criada minuciosamente para ser executada depois de sua morte em uma pequena sala do Museu de Artes da Filadélfia, onde figura até hoje, é reconstruído por meio de imagens, desenhos e esboços.

 

 

A curadora

Elena Filipovic é escritora, historiadora da arte e curadora independente. Especializada no estudo da vida e da obra de Marcel Duchamp, escreve e faz conferências com bastante frequência sobre o tema. Simultaneamente, desenvolve estudos e aportes sobre a teoria de arte contemporânea.

 

Foi co-editora da publicação “The Manifesta Decade: Debates on Contemporary Art Exhibitions and Biennials in Post-Wall Europe” (Roomade e MIT Press, 2005). Entre seus trabalhos de curadoria mais recentes se destacam “Let Everything Be Temporary, or When is the Exhibition?”, na galeria Apex Art em Nova York, e “Anachronism”, no Argos Center for Art and Media, em Bruxelas.

 

Está na fase final de seu doutorado em História da Arte na Universidade de Princeton, sobre as exposições organizadas por Marcel Duchamp e suas atividades como curador. É co-curadora da 5ª Bienal de Berlim (em cartaz na Alemanha até 15 de junho) e professora no Programa de pós-graduação em estudos curatoriais no centro de artes De Appel, em Amsterdã.

 

 

SERVIÇO

Exposição “Marcel Duchamp: uma obra que não é uma obra ‘de arte’” – Grande Sala

Curadoria: Elena Filipovic

Abertura: 15 de julho de 2008 (terça-feira), a partir das 20h

Visitação: 16 de julho a 21 de setembro de 2008

Local: MAM-SP

Endereço: Parque do Ibirapuera – Av. Pedro Álvares Cabral, s/nº, portão 3

Telefone: (11) 5085-1300

Horários: Terça a domingo e feriados, das 10h às 18h

Ingresso: R$ 5,50

Sócios do MAM, crianças até 10 anos e adultos com mais de 65 anos não pagam entrada. Aos domingos, a entrada é franca para todo o público, durante todo o dia.

 

 

Visite o site do mam
http://www.mam.org.br

 
Material enviado por Luciana Pareja


Unknown photographer
Marcel Duchamp playing chess , ca. 1959
Black and white photograph
© Succession Marcel Duchamp, 2008, ADAGP/Paris, AUTVIS/Sao Paulo


Marcel Duchamp
From or by Marcel Duchamp or Rrose Sélavy (Boîte-en-valise / Series D) , 1935-41 / 1966-71
Outside green linen, contains 68 items (ex-collection Andy Warhol). Edition of 30 boxes
41.6 x 38.5 x 9.9 cm
Private collection
© Succession Marcel Duchamp, 2008, ADAGP/Paris, AUTVIS/Sao Paulo


Marcel Duchamp
L.H.O.O.Q. , 1919 / 1964
Pencil on printed reproduction of Leonardo Da Vinci's Mona Lisa; printed lettering obscured in white gouache. Inscribed bottom center, below printed title La Joconde, in pencil: L.H.O.O.Q. Edition of 38 replicas printed to be inserted in Pierre de Massot's Marcel Duchamp, propos et souvenirs.
30.1 x 23 cm
Private collection
© Succession Marcel Duchamp, 2008, ADAGP/Paris, AUTVIS/Sao Paulo




Visite o site do mam
http://www.mam.org.br