Texto da Exposição
A atividade do artista plástico e em especial a do pintor é uma atividade reflexiva e solitária por natureza, ao contrário de outras modalidades de âmbito mais coletivo as quais envolvem freqüentemente uma equipe ou grupo tais como; teatro, música, cinema, etc. Entretanto na década de 80 quando a maioria dos artistas que participam desta exposição estavam iniciando suas carreiras artísticas, era muito comum a aglutinação em pequenos grupos. Os motivos para isto eram os mais variados; para divisão de despesas cotizando os custos do espaço e aluguel do atelier ou mesmo pelas afinidades de propostas estéticas. Em realidade existiam diversas turmas espalhadas, mas sempre em contato trocando experiências e se relacionando.
Por outro lado, nas últimas décadas a função da curadoria de exposições ampliou significativamente sua importância e o alcance de seu poder (em alguns casos até extrapolando suas atribuições). O curador atualmente é responsável pela idéia e a parte conceitual das mostras, não unicamente pela parte burocrática de seleção, montagem, etc, em realidade tomou uma função bastante autoral. Pois, ao final das contas ele é que faz o link e a ligação entre a obra e o público.
Como curadora da exposição Marta de Oliveira foi responsável pela concepção desta mostra e da idéia de aglutinar estes artistas distintos - com trajetórias diversas tendo o fator comum proximidade geracional - em torno de uma proposta. A partir de critérios pessoais esta exposição foi uma maneira que encontrou para, de certa forma reavivar uma efervescência e recuperar um pouco do coletivo, muito comum nos anos 80. Mesmo com temática comum para todos e a condição de trabalhar o assunto nas dimensões estipuladas é visível a diversidade das obras, visto que foram feitas por artistas com trajetórias e linguagens diversas, apesar disto no conjunto a mostra resultou coesa e com qualidade visível.
Como um dos artistas participantes, creio que esta exposição é uma empreitada gratificante, uma experiência prazerosa, nos une, como artistas e como amigos, e nos dá um novo animo e gás para a produção artística. Diferente de qualquer tipo de revival, de certa forma ela se apresenta como um porra-loquismo mais sedimentado pelas trajetórias individuais, mas que aqui estão juntos para este esforço comum. Bendita Santa Camaradagem.
Sergio Niculitcheff
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